O DESERTO DE NÓS - UILI BERGAMIN

17:19

O DESERTO DE NÓS
Uili Bergamin
Ed. Livro. Correa, 2016.
80 páginas

SINOPSE
Pela primeira vez reunidos em um mesmo livro, estes contos formam uma espécie de mosaico, de novela de ausências, de futuros não alcançados, tema caro a Bergamin e talvez seu grande mote inspirador. Eis a história de um homem que, por covardia, deixa de seguir seu coração e paga um preço alto por isso. Ele e seus afetos mergulham em um deserto do qual não há saída, fazendo-nos refletir sobre nossos próprios medos e fraquezas. Dois filmes foram inspirados por essas linhas, o que comprova a importância desta pequena obra.

O AUTOR
Escritor, poeta e palestrante. Autor de 15 livros, nos mais diversos gêneros, como contos, poesias, novelas e biografias, além de obras infantis e juvenis. Venceu dezenas de prêmios literários, alguns de nível nacional e internacional. Realiza palestras e oficinas sobre literatura e leitura em escolas e eventos literários. Também escreve para a Revista Acontece Sul, onde indica bons livros e para a Revista Volare Club, do Grupo Marcopolo.

RESENHA
Já resenhei outro livro do autor, aqui no blog, “Cela de Papel”, um livro de contos que me surpreendeu positivamente. Hoje, trago mais uma obra do autor Uili Bergamin que em seu livro O Deserto de Nós, nos leva a reflexões sobre as idealizações que fazemos durante nossa vida. Idealizações ligadas às escolhas, ao amor, à vida que desejaríamos ter, ao que poderia ter sido e não foi.
A abertura da primeira parte - O Deserto do Filho - toca a alma quando conhecemos a história de uma “não" Giulia e do que ficou em seu passado.
O autor usa, como pano de fundo, a imigração italiana, e, através do trabalho manual, a “não" Giulia, enquanto tece o fio, também desenrola uma história de vida, presa em seu passado e as ilusões que a mente cria, imaginando as possibilidades do não vivido.
Nos apresenta Ester e o drama da paixão não continuada pelo amado ter se tornado padre, por um desejo materno, típico de famílias da região de colonização italiana do sul do país. Mas a dor de não gerar um filho a transforma em uma mulher amargurada, sem futuro. Desesperança é a palavra que mais define Ester.
O padre, por outro lado, trava uma batalha ainda maior, com as lembranças do amor que viveu com Ester, e carrega a culpa por ter-se negado a uma escolha diferente. E ao ver o final da vida se aproximando, o peso do sino que ele toca nos minutos antes da missa, parece conter todo o arrependimento pelo que não teve.
Em um aspecto macro, somos todas “não" Giulias, personagens em busca do que sonhamos e acreditamos ser o resumo da felicidade.
Impossível ler cada passagem sem fazermos uma leitura íntima do que nós mesmos poderíamos ter alcançado.
Nas páginas seguintes, vamos nos deparando com os sofrimentos das escolhas e a transformação física e interna de cada um. Talvez, na tentativa de provar que o sofrimento traz algum tipo de aprendizado, Uili faz as personagens tentarem, sem sucesso, reconstruirem suas vidas, verem-se com outros olhos, contudo o que comprovam é a própria incapacidade de saírem dos casulos que construíram para a autoproteção. Uma única atitude diferente poderia ter definido um outro futuro, porém o medo, talvez o orgulho, manteve a todos estáticos e impossibilitados de perceberem que não existem decisões permanentes, que a mudança é possível.
Para entrar na obra de Uili é preciso um pouco de bagagem de vida, do sofrimento de escolhas e de conhecimento da condição humana em estado de evolução constante.
Um livro com densidade narrativa, que cria vários momentos de introspecção e de fluxo de consciência, como bem colocou Maria H. B. Brambila, ao final da obra. Buscamos o preenchimento de vazios, de sentimentos que nem sabemos existirem e nos acovardamos diante da moral tradicional, à vezes pela zona de conforto tão difícil de abandonar, porque sabemos que para cada escolha, há um preço, uma dor a ser paga.
É tentativa de superação dos demônios internos que os personagens carregam e que, nós combatemos, ou pensamos que assim o fazemos.
O Deserto de Nós foi transformado em um curta metragem. O trabalho conta a história de Ester e Arthur, amantes na juventude, mas separados pelas escolhas da vida. Enquanto Arthur tenta encontrar o seu caminho na luz da igreja, Ester busca encontrar o seu eterno amor em outros braços. A história vai prender o público do início enigmático, até o final surpreendente.
O filme conta com direção de Celso Perotto e produção de Juliano Valim Soares. A adaptação do roteiro ficou por conta do jornalista Roberto Nichetti, com as atuações do elenco fixo do grupo Sala 2 Produções.
As locações das cenas, incluem, Bento Gonçalves, Santa Lúcia do Piaí, Barra do Ouro, Maquiné, Vila Seca, Barra da Chapada e Caxias do Sul, alem de contar com cenas em seminários e a residência do Bispo Diocesano de Caxias do Sul.
Para assistir, clique AQUI.
Confira o blog do autor AQUI, para saber mais a respeito de outras publicações e aquisição dos livros.

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