RAÇA DA NOITE

17:15


Aaron Boone, atormentado por pesadelos onde monstros caminham num lugar chamado Midian (localizado abaixo de um cemitério) é convencido pelo seu psiquiátra, Dr Philip Decker, que ele é responsável por uma série de mortes, embora ele não se lembre de nada disso. Após mais uma assustadora visão, o rapaz então decide fugir do hospital e seguir para Midian, conhecido como "o lugar para onde os monstros vão" e "o lugar onde os pecados podem ser perdoados”.

SINOPSE
CLIVE BARKER
Clive Barker é um escritor, cineasta, roteirista, ator, produtor de cinema, artista plástico e dramaturgo inglês. Clive Barker escreve o que costuma descrever como literatura fantástica e terror.
RESENHA
Raça da Noite chegou até mim por intermédio de amigos do facebook. Li uma frase que eles separaram e que chamou a atenção. Infelizmente, é um livro difícil de ser encontrado e só consegui através de sebos. O preço foi salgado, mas como sempre guardo uma verba para esse tipo de situação, decidi investir, até porque, não conhecia o autor Clive Barker.
Uma pequena pesquisa pela net e é possível conhecer as obras do autor, relacionadas a terror explícito. Se você assistiu Hellraiser - renascido do inferno, sabe do que estou falando.
Raça da Noite, no entanto, não é apenas terror. Há outros elementos que descobrimos, quando iniciamos a leitura:
  • O amor, que parece contraditório no contexto, mas que movimenta a trama e envolve o leitor a ponto de não considerar os seres abjetos com repugnância e, sim, com entendimento pela forma como vivem e se mantém unidos. Há, inclusive, traços de delicadeza, como podemos encontrar no início do livro, no momento em que Boone, nosso protagonista, aparece: “De todas as promessas precipitadas feitas de madrugada, em nome do amor, Boone sabia que nenhuma era mais certa de ser quebrado do que: “Nunca te deixarei”.";
  • O sentimento de fidelidade que une esse grupo de monstruosidades;
  • A busca pela verdade;
  • A mentira e a manipulação.
Muitos apontam o erotismo como outro elemento dentro da história, porém há muito mais de pitadas pornográficas, pela escolha de palavras do que erotismo. Isso, no entanto não desmerece, de forma alguma, a obra. Pelo contrário, a humaniza.
Boone é daqueles protagonistas que nos abraçam desde cedo e é por ele que continuamos a leitura. A falta de memória que aparentemente o atrapalha, a consciência que o pune, a sensibilidade com que observa Lori, a mulher por quem se apaixonou, nos fazem querer que ele supere, ultrapasse os limites entre a vida e a morte.
Lori é outro traço marcante no livro. Uma mulher apaixonada, em busca da verdade sobre a morte de Boone e que não se deixa amedrontar com facilidade, nem desiste, mesmo quando os maiores obstáculos se colocam em seu caminho, como Decker, o psiquiatra que leva Boone à morte.
A presença de Decker e do delegado Eigerman nos conduzem para outro tipo de horror, muito pior do que os seres que vivem em Midian, o próprio homem. Não é possível sentir medo ao ler sobre essas criaturas, o que parece um tanto estranho. O que sentimos é emoção, tensão e o desejo de um final feliz.
Raça da Noite virou filme na década de 80 com o nome de Nightbreed. Não lembro de tê-lo assistido. O livro foi publicado no Brasil em 1994.

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