CINCO ESQUINAS

08:15

Ficção
Editora AlfaguaraFormato: 216 páginas

SINOPSE
Uma sociedade permeada pela corrupção e pelo jornalismo sensacionalista é examinada pela lupa sensual do vencedor do Nobel, Mario Vargas Llosa
A amizade de Marisa e Chabela se transforma quando, presas tarde da noite na casa de uma delas, as duas se veem sozinhas, deitam-se na mesma cama e, sem conseguir dormir, dão asas aos seus mais reprimidos desejos.
Quique e Luciano, seus maridos e amigos de longa data, são empresários peruanos de sucesso e não desconfiam de nada. Na verdade, Quique não tem tempo para isso. Ao receber a visita de um jornalista que possui fotos comprometedoras, ele se vê enredado num submundo de intriga e violência controlado pelas mais altas esferas do poder.
Parte romance de costumes — na melhor tradição de Travessuras da menina má — parte suspense, Cinco esquinas é um livro envolvente, que retrata uma sociedade às voltas com a corrupção e o terrorismo, acossada pelo jornalismo sensacionalista, mas que luta até o fim pela liberdade.

RESENHA
Cinco Esquinas é um romance que carrega no título o nome de um bairro tradicional de Lima e, segundo o próprio escritor, “é a história de como vários aspectos do período fujimorista (1990-2000) afetaram a sociedade peruana.” Leia AQUI.
Um romance que fala de traição, chantagem, intriga e violência. De como a imprensa sensacionalista se aproveita das mais variadas situações e determina o rumo da vida de figuras importantes da sociedade.
O cenário é um pano de fundo que pesa sobre a cabeça dos personagens, quer da classe alta ou baixa. O medo é constante e tudo pode terminar com apenas uma ordem do braço direito de Fujimori.
A ideia de traição começa logo no primeiro capítulo, quando Marisa e Chabela passam uma  noite juntas e acabam fazendo sexo e descobrindo o prazer na companhia uma da outra.
Mostra com clareza a maneira como o jogo de poder, sedução e chantagem funciona em uma sociedade assolada pelo medo de perder a liberdade.
Não há novidade, com ralação à forma como o tema foi abordado por Vargas Llosa, porém a linguagem simples não trava a leitura. É possível criar empatia pelos personagens, principalmente com Quique, vítima de Rolando Garro, um jornalista inescrupuloso, que divulga fotos comprometedoras do empresário a fim de conseguir dinheiro para ampliar o jornal que dirige. Ao mesmo tempo, conseguimos odiar a Baixinha, auxiliar direta de Garro.
Em alguns pontos, no entanto, quando acontecem os flashbacks dos personagens, a lerdeza dos parágrafos em função das descrições, não atrai. Contudo, sem isso, não seria possível saber o motivo do personagem surgir dentro da história.
Os pontos de tensão são bem feitos. Ao finalizar o capítulo desejamos saber o que vem a seguir e, para nossa surpresa, nunca é o passo seguinte, o que mantém a tensão em cada nova reviravolta na trama.
Uma leitura bacana para passar o tempo.

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