CONTOS DE AMORES VÃOS

14:49

O AUTOR POR ELE MESMO

Sou escritor, poeta e palestrante. Autor de 15 livros, nos mais diversos gêneros, como contos, poesias, novelas e biografias, além de obras infantis e juvenis. Venci dezenas de prêmios literários, alguns de nível nacional e internacional. Realizo palestras e oficinas sobre literatura e leitura em escolas e eventos literários. Também escrevo para a Revista Acontece Sul, onde indico bons livros, para a Revista Volare Club, do Grupo Marcopolo.

SINOPSE

Publicado em 2011 e contemplado via LIC Federal, contêm vinte textos independentes, vários deles premiados em concursos nacionais, que versam sobre um aspecto inusitado do amor: sua impossibilidade de plenitude e a frustração que isso acarreta. A sensação de incompletude se faz presente em cada página, sem enfeites ou demagogias. Os contos transitam entre o realismo e o realismo fantástico. Também no formato os textos fogem do convencional, alternando formas narrativas. Pela temática e pelo estilo, estes contos causam estranheza e arrebatamento, objetivo primordial de qualquer obra literária de valor. 

Contos de Amores Vãos

Meu primeiro conselho: leia devagar, porque a alma tem que estar presente durante a leitura. Segundo conselho: observe os próprios sentimentos e pensamentos, porque ao final de cada conto, sempre há algo para anotar. Terceiro conselho: deixe-se abraçar.
A dedicatória. Sempre ela. Reveladora e ocultado de intenções. Começa com ela a viajem nos contos. Ela se mostra sutil e poética, com um “q" de melancolia e saudade.
A leitura avança.
Bebe-se as palavras com o desejo de querer mais. Tem a covardia explícita de amantes, de ontem e de sempre. Uili atinge o alvo ao abrir comportas e deixar a correnteza dos pensamentos lavar e levar vestígios do passado.
Uili busca nos vãos, entre um amor e outro, ou seria paixão, entre o “eu” e os desejos. Não, fiquem tranquilos, não estou confundindo o autor com a obra. Até porque, esta busca não é apenas dele, se é que ele, em algum momento, procurou por isso. O amor é um tema universal e é disso que cada um dos contos trata. Colocando o leitor frente à frente com a vivência das próprias paixões, atuais e passadas. Despertando a consciência do que um dia sonhamos e do que, na realidade vivemos.
Ele nos lembra que sonho e realidade se confundem ou se fundem em memórias que o tempo teima em apagar. Acontecimentos tão distantes que são quase sonhos. A confrontação com a vida. A dor da solidão e a dor do desconhecer o amanhã. E o ontem, quase cinza e sem cor.
Dizem que a primeira coisa que esquecemos quando amamos alguém que a morte leva é da voz. Talvez seja muito mais que apensa a voz. Talvez seja todos os detalhes, que tentamos com desespero reter. Talvez o desespero provoque o esquecimento, porque a dor do lembrar é maior que o amor por quem se foi.
Uili também nos coloca diante de revelações. Da necessidade de nos mantermos dentro da zona de conforto. E onde há revelações, também existem confissões diante do que se pode suportar e porque suportamos tantas indiferenças. E quando o passado nos assola nas esquinas, nos sinais, nos corredores, elevadores, nos locais inusitados da vida, paralisamos. Bate um não-sei-que de nostalgia do que poderia ser e nunca se concretizou. E isso, talvez seja o que mais assusta. O não realizado.
Dois contos que transformam a leitura em um vislumbre de tantas realidades conhecidas: “Como um carinho para um troglodita Lado A e Lado B”. Um encontro que transcende a realidade? Um sonho transcrito como se fosse verdade? É difícil separar o autor da obra, no momento em que se chega quase na metade do livro. Mas, como dizem, o escritor é um grande mentiroso, então não há como saber o que realmente é fantasia e realidade.
E, quando a alma se parte em um estalo, há quem consiga encaixá-la, há quem não. E o que fica? O que sustenta uma relação?
Se eu continuar a escrever todos os pensamentos que me atingiram durante a leitura de Contos de Amores Vãos, isso não vai ser mais uma resenha, mas uma dissertação.
A partir daí, há um zilhão de motivos para você, leitor, pegar esta obra e degustá-la com o máximo de calma possível, descobrir os gostos que cada conto trás ao término da leitura.
A linguagem é primorosa e o autor conseguiu utilizar palavras precisas para atingir seu objetivo.
Um livro para aquele final de semana chuvoso e solitário.
 

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2 comentários

  1. Que linda essa resenha, Ceres!
    A resenha já é um amontoado de quase poesia. E assim, caminho para querer ler o livro também.
    Parabéns ao autor. E Parabéns para você que vai cativando leitores tanto para o blog quanto para os livros que comenta.
    Beijos!

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    Respostas
    1. Obrigada,Evelyn!
      Tuas palavras sempre são de incentivo. Tenha certeza que procuro em você a minha inspiração, porque também é uma excelente escritora e amiga para todas as horas.

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