UM LUGAR CHAMADO LIBERDADE

09:14



UM LUGAR CHAMADO LIBERDADE
Ken Follett
Editora Arqueiro

SINOPSE
Escócia, 1766. Condenado à miséria e à escravidão nas brutais minas de carvão, Mack McAsh inveja os homens livres, mas nunca teve esperança de ser como eles. Até que um dia ele recebe a carta de um advogado londrino que lhe revela a ilegalidade da escravidão dos mineiros e um novo horizonte se abre aos seus olhos. Porém, para realizar seu sonho, Mack precisará enfrentar todo tipo de opressão das autoridades que não estão acostumadas a serem questionadas. Já na idealizada Londres, ele reencontra uma amiga de infância, Lizzie Hallim, agora casada com Jay Jamisson, membro da família que tanto o atormentara na Escócia. Lizzie não se conforma em viver submetida aos caprichos dos homens e constantemente escandaliza a sociedade com seu comportamento e suas ideias não convencionais. Quando Mack é acusado injustamente de um crime, ela quebra protocolos e sai em sua defesa, mas o amigo é deportado para a América. Mack logo descobre que se trata de uma mera mudança de continente, não de ares sociais, pois a colônia também vive momentos de tensão: se na Inglaterra os trabalhadores não desejam mais ser explorados pela elite, ali os colonos preparam o caminho que os levará à independência do jugo inglês. Nesta saga repleta de suspense e paixão, Ken Follett delineia uma época de revoltas contra a injustiça com uma escrita enérgica e sedutora.

AUTOR
Ken Follett nasceu a 5 de Junho de 1949, em Cardiff, no País de Gales, e licenciou-se em Filosofia no University College, em Londres. Começou a sua carreira como jornalista no South Wales Echo e, mais tarde, no London Evening News. Trocou a profissão de jornalista pela de editor e continuou a escrever no tempo livre. A sua primeira obra foi publicada em 1978 sob o título Eye of the Needle, um thriller que venceu o Edgar Award e deu origem a um filme. Vive em Londres com a mulher, a deputada Barbara Follett, e os seus dois Labrador retrievers. Tem estado associado a diversas associações para a promoção da literacia e da leitura; é membro da Welsh Academy e Fellow da Royal Society of Arts. Follett é um grande apreciador de Shakespeare e um músico amador.


OPINIÃO
O autor começa a narrativa no presente, com um prólogo curto e intrigante para, em seguida, remeter o leitor a Escócia de 1700, em uma vila de mineradores e nos apresenta o lugar, o protagonista Malachi MacAsh (Mack) e como a sociedade da época tratava quem tinha uma classe social inferior.
Na trajetória de Mack, Follett nos mostra como funcionava a extração do carvão mineral, o perigo pelo qual passavam os homens, mulheres e crianças que trabalhavam nos túneis de mais de 60 metros de profundidade, e o tratamento cruel que os mineiros recebiam de seus donos. A vida dos mineradores não tinha valor algum.



A escravidão começava no nascimento e só terminava com a morte. Na mudança de cenário, quando Mack vai para Londres, o carvão movimentava as engrenagens do progresso, os trabalhadores que descarregavam o minério dos navios eram oprimidos e explorados, da mesma forma como os mineiros nas minas de carvão.
Os revoltosos, entre eles Mack, acabavam condenados à forca ou deportados para a América, onde cumpriam a pena como trabalhadores braçais nas lavouras de fumo e grãos. Viviam junto aos escravos negros, tão oprimidos quanto.
Como todo romance histórico, as descrições são numerosas, porque sem elas não seria possível inserir o leitor no mundo retratado na história.  Ele nos fala da política social e trabalhista, da hierarquia familiar, dos casamentos arranjados, da preferência pelo filho homem e pelo primogênito. O descaso e o preconceito com a opinião e o sexo feminino. Isso pode cansar quem gosta de narrativas ágeis.
O autor fala de liberdade, mas não apenas a que escraviza trabalhadores, e sim todo e qualquer tipo de liberdade.
Um ponto negativo, a meu ver, a última cena de sexo entre Mack e Lizzie. Para um romance tão bem estruturado, me pareceu um tanto “hot" a forma como o autor conduziu a cena.
O fechamento se liga com o prólogo de forma sutil. Gostaria de ter tido mais conhecimento sobre quem era a velha louca e o filho a quem pertencia a propriedade onde o colar de ferro foi encontrado. Se havia alguma ligação entre a história, que me pareceu imaginada pelo novo dono do colar, e a velha louca.
Ficou um sentimento de vazio e os motivos de existirmos se daqui há séculos ninguém lembrará mais de nós.
Mais uma boa dica para leitura em 2016.

Publicações que possam lhe interessar

0 comentários