MISSI DOMINICI - OS ENVIADOS DO SENHOR

13:51


Alessandro Alcântara de Mendonça
É servidor público do Distrito Federal (Secretaria de Educação) há 15 anos, formado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Nacional (DF) em 1997 e ordenado Pastor batista em 1998.
SINOPSE
 
Após uma devastadora tempestade de granizo - tida por todos como obra de feitiçaria -, um tribunal do Santo Ofício é instalado no condado de Basonvil para julgar as denúncias e punir os hereges.
Cristine, jovem habitante do condado, que perdera a virgindade antes do casamento, se verá diente da oportunidade de "recuperá-la" por meio de um ritual de bruxaria, mas a chegada de Pérsio, o Agnóstico - um homem em busca de vingança contra o inquisidor Ignácio Jacobus - modificará para sempre a sua vida.
RESENHA
O autor Alessandro Mendonça conta a história de forma diferente do que costumamos encontrar nos livros - pelo menos aqueles que eu li até agora. Cada capítulo se refere a uma personagem, ou situação específica sem que acontecem confusões, pelo contrário, há um elo intimo entre elas. No início, temos a sensação que as informações estão separadas, porém, conforme a história avança, percebemos que não há nada solto e os elos se tornam fortes e criam outras ligações que unem as personagens e as circunstâncias que conduzem a trama.
Essa diferença é um dos pontos positivos para o autor, que vai nos conquistando aos poucos. Não há uma enxurrada de informações desnecessárias, até porque a época da caça às bruxas não é desconhecida de todos. Encontramos o necessário para compreendermos os acontecimentos que envolvem várias personagens da história: Ana, Cristina, Jacobus, Ágata, Pércio, Etienne, as imãs Fedora e outros que rondam pela narrativa como sombras, mas nem por isso, menos importantes.
Tudo o que acontece serve de pano de fundo para que o restante das cenas se mostre.
O autor aponta as fraquezas e as virtudes das personagens. Explora esses elementos com cuidado e nos deixa próximos a elas.
Há passagens bem pensadas e estruturadas no texto. A escolha das palavras e a maneira como os parágrafos foram construídos deixam visível a preocupação do autor com o leitor.
 
O narrador está acima das personagens. É onisciente, mas não nos conta tudo. Guarda detalhes que só se revelarão no momento certo. Por conta disso, há uma inversão de pontos de vista, em algumas passagens, que confunde um pouco o sentido do leitor sobre qual é a personagem que expõe seus sentimentos em determinados pontos. Também gera certa dificuldade em conseguirmos montar um quadro mais preciso das características delas, visto que, o relacionamento entre elas viaja pelo presente e passado, misturando e confundindo, um pouco, o que já se havia formado a respeito deles. - Essa dificuldade, talvez, seja apenas minha e não da maioria dos leitores que experimentarem a narrativa de Alessandro. - Também podemos olhar isso de forma positiva, afinal há uma construção e desconstrução do que já conseguimos sentir por cada um deles e a simpatia vira antipatia.
Jacobus, se apresenta velho, depois pulamos para sua juventude e a imagem decrépita do início se transforma. Em alguns momentos, simpatizamos com ele, porque ele nos mostra boas intenções com relação às responsabilidades que irá assumir, mas antes disso, já o havíamos odiado.
Outro ponto que me deixou confusa: Etienne, por exemplo. Comecei acreditando que era órfão, de nome Dominic. Em determinado momento, transforma-se em Pérsio, tem um pai e uma mãe, mas vai para o monastério. Ao final, ele é o mesmo Etienne do início, filho de Jacobus, órfão de mãe? Essa foi a pergunta que me fiz. Ao chegar ao capítulo "Sobre o Princípio e o Fim de um Noviciado", precisei retornar e reler outros trechos para me certificar da origem da personagem.
Talvez essas idas e vindas deles - presente x passado - criem essa confusão, ou talvez o grande número de personagens que se apresentam nos fazem perder o rumo. Todos que chegam parecem nos remeter a algo importante e ficamos esperando que isso aconteça, que em algum momento a união entre as histórias aconteça.
Atenção redobrada na hora da leitura para não nos perdermos. As personagens são muitas: Ana, Cristine, Jacobus, Walpurga, Theodora, Simão, Abelardo, Dominic, Jordana, Guilherme, as irmãs Fedora, Aldenora, Agnes, Aurélio, Pérsio, Keira, Lucius, Cornélio, Itzhak, Nuno, Morel, Alexius, Ângela, Venocchio, Gireaux, os Outros, e os narradores, figuras que só se apresentam ao final.
Aliás, o final é algo inesperado. Não há pista alguma, em toda a história, que faça com que saibamos como tudo vai terminar.
Há uma pequena confusão quanto à lua. A fase em que ela se apresente luminosa não é a nova, como citado no capítulo "Sobre Bruxas - Reais ou Imaginárias", mas a cheia. Acredito que tenha sido uma distração do escritor.
O autor Alessandro Mendonça está mais do que recomendado.
Onde comprar:
Ou diretamente com o autor (entre em contato para verificar a disponibilidade de exemplares e a forma de envio/entrega). https://www.facebook.com/livromissidominici/?fref=nf

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