ANJO - A face do mal

13:17

Anjo - A face do mal
Autor: Nelson Magrini
Ano: 2004 / Páginas: 261
Editora: Novo Século
SINOPSE
A partir de dois Princípios, a Ação e a Oposição, houve luz.
Infinitas eras após o início da Criação, a Oposição, o Indivisível, irá se dividir novamente, um fenômeno que só havia acontecido uma vez, quando ainda não existiam seres no Astral.
Face a isso, grupos opostos têm posições extremamente contrárias em relação ao fato.
Anjos, os que governam o Céu, querem impedir a divisão, pois, para eles, a Oposição são as Trevas Eternas, o inimigo máximo de Deus. Aos seus olhos, mesmo os Demônios, seus opostos, são toleráveis por serem originários da Ação, assim como toda e qualquer outra entidade existente no Astral, e vistos como partes da obra de Deus.
Por sua vez, os Demônios são a favor da divisão, até mesmo porque querem descobrir que segredos a Oposição esconde e utilizá-los na eterna luta contra os angelicais.
Em meio à tensão crescente, que ameaça eclodir em uma guerra entre Anjos e Demônios, que devastaria toda a Criação, um ser observa, um ser único sem igual, um híbrido possuidor tanto da energia da Ação, quanto da Oposição. Seu nome é Lúcifer.
Enquanto isso, na Terra, uma entidade misteriosa, incrivelmente poderosa, caça indiferentemente Anjos, Homens e Demônios, guiada apenas pelo seu propósito sombrio, uma entidade que só poderia ser descrita em pesadelos como a Entropia Encarnada.
É chagada, então, a hora de Lúcifer intervir. O futuro da Existência está em suas mãos. Se falhar, nada restará além de desolada destruição.
RESENHA
A sinopse, por si só, me conquistou. Como Lúcifer poderia ser a salvação se sempre o vimos como a destruição de tudo o que conhecemos feito pelo Criador? Que força misteriosa e devastadora, que se manifesta na Terra, poderia ser maior que Lúcifer?
Em busca dessas resposta, comecei minha leitura e a primeira surpresa chega no capítulo 1: como o autor mostra Lúcifer. Confesso que me surpreendi, muito. Desconstruir uma imagem tão enraizada não foi algo fácil o que me fez admirar a visão de Magrini sobre o mundo sobrenatural.
A utilização de forças contrárias, os princípios de Ação e Oposição é algo que demonstra a criatividade com que a história foi construída.
Magrini nos apresente um mundo astral e um mundo material, coexistindo em dimensões diferentes, mas, ao mesmo tempo interligados. Há os seres da mitologia Católica: Anjos e Demônios, mas também da mitologia do Candomblé: Exuns, Oguns. Também nos deparamos com santos como Cipriano, Gregório e figuras históricas, como TuthAnkhAmon. Algo inusitado em se tratando de Literatura Fantástica.
Em vista disso, é necessário muita atenção na leitura, porque cada ser no Astral está ligado a outro, na Terra, que servem a eles de referenciais.
Todos são levados a escolherem um lado quando os Anjos declaram guerra a uma nova força que surge no Astral, porque acreditam que ela poderá destruí-los e a toda a criação.
E, na Terra, outra força se apresenta, letal aos homens e a todos os outros seres do Astral e é com essa nova criatura que Lúcifer terá que lutar.
E então surge Lucas, um mortal que vai auxiliar Lúcifer a anular os poderes desse ser desconhecido ao qual os homens, chamam de Anjo. Porém, Lucas quer algo em troca, a imortalidade: a vida eterna.
E então, o que você pediria se Lúcifer precisasse da sua ajuda? Eu pensei sobre isso e, não me ocorreu nada melhor do que a mesma solicitação de Lucas.
Em meio a muita tensão e conflitos, que envolvem, inclusive, um tenente da polícia, Rafael, que investiga as mortes estranhas de diversas pessoas, sem qualquer ligação umas com as outras e as quais dizem terem sido causadas por um extra-terrestre, a narrativa se desenrola, prendendo o leitor e o deslocando para os diversos mundos. Como disse antes, o número de personagens requer atenção e essa alteração de cenários, também.
Você se imagina torcendo para a vitória de Lúcifer? Nem eu imaginei que faria isso. E é exatamente esse sentimento que Magrini arranca de nós. Há muitas questões que surgem durante a leitura. Algumas, encontramos a resposta no livro, outras ficam bailando em nossa cabeça.
Não posso dizer que o final tenha me agradado, mas após um pouco de reflexão, não encontrei outra solução viável.
Senti falta de um desfecho para Rafael e seus comandados. Uma lacuna que, talvez, seja proposital.
Também me senti desconfortável com algumas passagens que repetem várias vezes os sentimentos de Lucas. Acredito que poderiam ter sido suprimidas.
De toda forma, um livro que recomendo.

Publicações que possam lhe interessar

0 comentários