RIO: ZONA DE GUERRA - Leo Lopes

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Livro: Rio: Zona de Guerra
Autor: Leo Lopes
Editora: AVEC Editora

Gosto de começar uma resenha apresentando o escritor. Quem é Leo Lopes?
Leo Lopes nasceu em 1975 no Rio de Janeiro, mas morou metade de sua infância em Brasília, capital federal e centro do poder do Brasil.
De volta ao Rio de Janeiro aos 10 anos de idade, teve contato com a literatura de ficção e com os jogos de RPG. As longas horas criando histórias que iria compartilhar com seus companheiros de jogo na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá aguçaram uma imaginação que, por natureza, já se encontrava em ebulição.
As diferenças sociais que presenciava quando deixava seu condomínio na Barra da Tijuca em direção a sua primeira faculdade no subúrbio do Rio serviram de inspiração. Foi olhando através das janelas dos ônibus da linha 753 e ouvindo o som cadenciado dos trens que o levavam de Cascadura a Piedade que ele vislumbrou em sua mente as primeiras imagens desta história.
As formações em Comunicação Social e Direito deram o embasamento de que precisava para dar forma ao pensamento crítico que tinha em relação ao abismo social que dividia determinadas partes de sua cidade. O resultado é Rio: Zona de Guerra.
Para conhecer mais sobre a obra > https://riozonadeguerra.wordpress.com/
Perfil do autor no facebook > https://www.facebook.com/leo.lopes.756?fref=ts
SINOPSE -
Em um futuro próximo, as desigualdades sociais e econômicas chegaram a níveis tão alarmantes que o Estado não tem condições de manter a ordem e garantir a segurança pública. Todo o poder é concentrado nas mãos de megacorporações multinacionais que criam e impõem as leis por meio de suas milícias particulares, chamadas Polícias Corporativas. No Rio de Janeiro, a Fronteira, uma muralha intransponível que cerca a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, protege os interesses das megacorporações, relegando os habitantes dos demais bairros a uma vida sem lei em um território dominado pelas gangues. Tudo pode acontecer quando o assassinato de uma prostituta no edifício de uma megacorporação leva um detetive particular a voltar para a Barra da Tijuca após anos de exílio no que todos se acostumaram chamar de Zona de Guerra.
Como percebemos pela sinopse, Rio: Zona de Guerra é uma distopia. Não é meu gênero favorito, mas Leo Lopes conseguiu conquistar minha atenção. Fica difícil falar de um livro bem escrito como Rio: Zona de Guerra. Primeiro, porque há um cuidado especial do autor, acredito que também do editor, no uso do português. Não encontrei erros de digitação, nem de gramática, o que só deixou a leitura mais prazerosa.
Leo Lopes conduz uma narrativa limpa e fluida, sem floreios. Com agilidade, vai instigando o leitor a pensar, a juntar os elementos que faltam para o desfecho do misterioso assassinato da prostituta Rita de Cássia: o estopim que faz Freitas, o detetive, a voltar para dentro dos muros, longe da Zona de Guerra.
O autor constrói um personagem solido e verossímil. Um homem cheio de erros e acertos, comum em sua aparência, até meio fora de forma, que escolheu a Zona de Guerra para não cair nas garras do sistema que se instalou dentro dos muros que separam e segregam os “bons" dos “ruins” de acordo com as leis estipuladas por uma elite preconceituosa, corrupta e que acredita ser melhor do que os exilados, os que vivem na Zona de Guerra porque cometeram delitos e não podem mais conviver com a chamada “sociedade civilizada".
Em vários trechos, Freitas mostra sua revolta contra a corporação que ocupou a cidade e iniciou a construção do muro, separando amigos, famílias e amores. Contudo, não falta a Freitas bom humor, sarcasmo e ironia. Um personagem carismático que conquista o leitor aos poucos, o que faz com que desejemos um desfecho, no mínimo, feliz a ele.
Leo nos mostra a formação das gangues que se instalam do lado oposto do muro, na Zona de Guerra, não muito diferente do que conhecemos quando ouvimos nos noticiários sobre as facções que dominam os morros e os bairros do Rio, porém, deixando claro que a sede pelo poder, a corrupção, as falcatruas, acontecem em ambos os lados. Há, contudo, o alento de que, mesmo nesses grupos, há pessoas dispostas a fazer algo diferente, que traga algum benefício aos que mais sofrem, talvez pelo cansaço de se sentirem à margem, pela dificuldade de viver em situações limites. Algumas vezes a história dá um salto entre um capítulo e outro, não deixando claro como Freitas chegou a determinadas conclusões, mas isso não tira a lógica dos acontecimentos, porque o leitor consegue, no capítulo seguinte entender, ou supor, como ele conseguiu a resposta ao enigma.
As perguntas que ficam: quais os critérios para que as Zonas de Guerra fossem ciradas? Não que não dê para imaginar, mas ficou a brecha e que, talvez, nesse volume, não coubesse ou não fosse necessário tal explicação. Quem está certo? Há algum culpado para que essa situação tenha ocorrido? Como se modifica uma sociedade corrompida e viciada pelo poder? A tecnologia, a ciência, trará com ela apenas benefícios, ou nos transformará em seres insensíveis - se é que já não somos? Até que ponto a ética tem espaço dentro da ciência, que é conduzida por homens e, portanto, sujeita a valores distorcidos de certo e errado? Como se insere a verdadeira cooperação entre pessoas tão diferentes? Como fazer o amor sobreviver em meio ao caos?
Enfim, parabéns ao Leo Lopes e sucesso!
Fica na lista dos meus autores favoritos e no aguardo de novas histórias.
E, para vocês que gostam de distopias misturadas com romances policiais cyberpunks ou para quem gosta de uma boa lietura, fica a dica.

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