O PACTO - RESENHA

05:17

"O PACTO"
Ceres Marcon


Demorei muito para fazer os apontamentos sobre “O Pacto” do Joe Hill. Por várias razões que não quero citar aqui. Para quem não conhece o autor, ele é filho do nosso amado e idolatrado Stephen King – e odiado também, porque não dá para agradar a todos.

SINOPSE
Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida.
Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro.
Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Descobre também algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis.
Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora.
Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.
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“O Pacto” me ganhou pela sinopse e porque eu já havia lido outro livro do autor “A estrada da noite”, do qual gostei muito, pela velocidade da narrativa e pelo tema: terror e suspense.
“O Pacto” segue uma linha um pouco diferente com relação à narrativa que é mais lenta e cheia de detalhes. Tanto que parei diversas vezes para tomar fôlego e retomar e muitas vezes reli capítulos anteriores para ter certeza de que nada havia escapado.
O grande ponto da história de Ignagius Martin Perrish, mais conhecido por Ig, é a descoberta que ele faz sobre o que as pessoas que ele ama pensam a respeito dele. Há uma desconstrução de valores morais do personagem a cada descoberta e a surpresa de perceber o quanto longe ele pode chegar para atingir seus objetivos.
E, nessa descoberta, HIll leva o leitor a fazer as mesmas perguntas sobre as pessoas com quem convivem. Será que todas são verdadeiras mesmo ao exporem seus sentimentos e dizerem que gostam de nós? Quantas mentiras esconde um sorriso de feliz aniversário? Um cumprimento de condolências? O médico que nos atende está, realmente, focado em nosso problema ou muito além do que possamos imaginar?
Ig não é um personagem cativante. Mesmo com os poderes que adquire, continua fraco, no físico e no sentido psicológico. Em alguns momentos ele se torna bem irritante, quando se coloca como vítima da situação e em certas passagens, até torci contra ele.
Para um leitor mais atento, os símbolos poderão remeter à dualidade dos seres na busca pela verdade. O crucifixo de Merrin, as cobras, o tridente, a casa na árvore, onde aparecem as figuras religiosas em um pequeno altar, o gato preto. O pecado e a absolvição, o certo e o errado, o bem e o mal.
O que me aborreceu foram os imensos flashbacks que sei foram necessários para que conhecêssemos o passado de Ig e como ele chegou até o ponto em que a história começa. Foram esses flashbacks que me fizeram querer desistir da leitura.
No mais, recomendo a leitura. Surpreendam-se com Ig. Amem-no ou odeiem-no.






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